O mar de Olinda

06/01/2005 - 21h14min

Deixe sol e mar para depois. Pernambuco respira cultura, terra de mestres como Cícero Dias, Chico Science, Alceu Valença, Gilberto Freyre, Lenine e Ariano Suassuna. Recife, a capital, e sua vizinha Olinda, merecem, juntas, dias a fio de visita. São as estrelas do trio história-arte-culinária do Estado.
Olinda

Cidade das águas, cortada por rios e pontes que datam desde 1643, banhada pelo mar, Recife é carinhosamente chamada de Veneza brasileira. "Está mais para Florença, pelo casario histórico e o Rio Capibaribe", argumenta o artista plástico Francisco Brennand, ilustre morador desde a infância. De fato, seu grande trunfo são precisosas construções coloniais, legado português e holandês - da bela Praça da República, cercada de palmeiras imperiais, ao revitalizado bairro do Recife Antigo, com sobrados tomados de bares e galerias. Um exercício de descoberta a cada ruela.

Ali, na Rua do Bom Jesus, reduto dos primeiros judeus que chegaram à América, a calçada toma ainda mais vida quando o sol se vai. Mesinhas lotadas e palcos improvisados de MPB ao vivo dão o clima de boemia. E nostalgia. Na extensa Avenida da Boa Viagem, outra faceta, a moderna: um emaranhado de prédios à beira-mar, endereço dos principais hotéis, casas noturnas e restaurantes de cunho internacional.

Mas se a idéia é "comer com arte", Olinda é a pedida, dia ou noite. Primeira capital de Pernambuco, repleta de igrejas, conventos e casario colorido, ela é também a cidade dos artistas - têm mais de 50 ateliês no centro histórico. Sérgio Vilanova e suas pinturas, Iza do Amparo e suas criações em tecido, Silvio Botelho e os bonecos gigantes do Carnaval...



Entre uma prosa e outra ladeiras abaixo, parada numa simples portinhola: Oficina do Sabor. Esta, porém, uma casa gourmet, um dos charmosos restaurantes locais que vendem peças de artesanato e servem pratos caprichados. Do terraço, a visão privilegiada da cidade declarada pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao fundo, o mar. E uma lembrança da História. "Oh linda situação para se construir uma vila", disse Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, em 1535.

Por: Transline